Uma tarde cinzenta



Acordei em uma tarde cinzenta,

Olhando ao redor,

Um quarto vazio.

No cinzeiro o resultado de uma noite inteira acordado,

Garrafas acumulam pelo chão.

Ainda sonolento encosto na janela,

Acendo um cigarro e

bebo um gole de vinho para “cortar” o mau gosto da boca.

Passo observar a rua, vazia como o quarto,

Algumas folhas de arvores movimentam-se com o vento em um redemoinho,

Parecem dançar uma musica frenética que nossos ouvidos não conseguem escutar.

Ao terminar o cigarro vou em direção do banheiro,

Abro a torneira e jogo água no rosto,

Sinto a barba em minhas mãos,

Levanto a cabeça e vejo no espelho um rosto desconhecido,

Com olheiras, barba de dias por fazer,

Um rosto abatido e inerte, sem vida alguma.

Neste momento lembro-me das folhas dançando e

Sinto algo estranho,

Observo novamente o espelho e um pequeno sorriso,

Faz tanto tempo que não lembro a ultima vez que sorri.

Volto para o quarto, sento-me na cama, olho ao redor,

Termino com o ultimo gole da garrafa, acendo outro cigarro e deito na cama.

Começo a olhar o teto e a fumaça parece acariciá-lo,

Penso que é um desperdício uma cama tão grande e também vazia.

Como tudo aconteceu?

Tento lembrar e neste momento percebo ter sido tudo mais um sonho bobo,

Um mero devaneio de uma noite regada com álcool e cigarros,

Apenas mais um delírio!

Não resta nada mais para este que narra a vocês mais uma tarde costumeira,

Como tantas outras,cinza e vazia!

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